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O que esperar do Agronegócio em 2021

O que esperar do Agronegócio em 2021

No atual contexto brasileiro, quando o assunto é a economia do país não há como não se falar do agronegócio. Esse setor da economia brasileira, também conhecido como agribussiness, que integra tanto práticas rurais como urbanas, representa tamanha importância que levou o Brasil a ser o líder mundial em exportação de produtos agropecuários.

Assim, o agronegócio se consolida no país como uma atividade primordial para o desenvolvimento econômico, gerando resultados positivos e significativos para toda a sociedade. 

Sendo formado por diversas cadeias produtivas ou atividades agrícolas, o agronegócio detém também uma inter-relação entre três setores, sendo eles: 

  • O primário: com a agropecuária; 
  • O secundário: com as indústrias de tecnologias e de transformação das matérias-primas; e
  • O terciário: com o transporte e comercialização dos produtos advindos do campo.

Por tudo isso, se faz fundamental que todos os envolvidos nesse setor, que vão desde o produtor rural até as grandes agroindústrias, conheçam das particularidades que o ramo apresenta, como também estejam atentos às possíveis mudanças que podem afetar diretamente o agronegócio.

Pensando na importância do agronegócio, escrevemos o presente artigo, no qual elencamos algumas das perspectivas esperadas para o ano de 2021 no setor. Acompanhe!

O aumento do PIB e do VBP pelo Agronegócio e a geração de empregos pelo setor

Estima-se que o setor do agronegócio terá um aumento de 3% no Produto Interno Bruto – PIB e de 4,2% no Valor Bruto da Produção Agropecuária – VBP, excedendo R$ 903 bilhões, em 2021.

A estimativa é advinda da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA, a qual afirma que o setor do agronegócio ajudou o Brasil na pandemia e deve seguir assim no ano de 2021. Embora tenham ocorrido prejuízos aos produtores rurais por conta da pandemia, ao final do ano de 2020 o resultado foi positivo. Prova disso foi a geração de mais de 100 mil empregos formais no setor entre os meses de janeiro a outubro, e o avanço na exportação dos produtos agropecuários.

No que condiz a geração de empregos, o agronegócio foi um dos poucos setores a apresentar saldos positivos, liderando o ranking nacional mesmo em meio a pandemia em 2020. A agricultura foi a área que gerou grande parte desses empregos, segregados entre as atividades da produção de lavouras permanentes e temporárias, além das atividades de apoio ao setor.

PIB Agronegócio

A safra de grãos no Agronegócio: soja é o destaque

Apesar da crise pandêmica que afetou não somente o Brasil como também o resto do mundo, o agronegócio teve um crescimento significativo no ano de 2020 no país, e esse resultado positivo é o esperado também para o ano de 2021.

Isso porque o agronegócio é o setor que garante o abastecimento base para o Brasil e para os demais países, e isso faz com que a demanda dos produtos agropecuários seja cada vez mais elevada.

Segundo dados da CNA, nosso país fechou o ano de 2020 sendo o maior exportador de açúcar, café, suco de laranja, soja em grãos e carnes bovina e de frango; o terceiro maior de milho; e o quarto de carne suína. 

A soja em grãos é destaque em termos de produção, sendo responsável por aproximadamente R$ 1,00 a cada R$ 4,00 da produção agropecuária brasileira.

A soja na safra 2019/2020 teve uma produção recorde: 124,8 milhões de toneladas de grãos. Com a demanda elevada de grãos e proteínas animais, principalmente da China”, os preços alcançaram patamares recordes, chegando a R$ 170,00 a saca de 60 quilos de soja, sendo que em 2019 o valor médio da saca estava R$ 82,00.

Com a alta do dólar, as sacas de grãos com preços significativos e a proteína animal com preços elevados, o ano de 2021 aponta como um forte incentivo para os pequenos e grandes produtores rurais. 

A tendência é de um alto investimento nas safras de grãos e na recomposição e engorda dos animais para aumentar a produção de carnes.

Safra de grãos

Estimativas para os pecuaristas

Em 2020 o setor pecuário também teve um bom desempenho com preços da arroba bovina chegando a R$ 300,00, sendo que a média no ano girou em torno de R$ 220,00, de acordo com Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa.

Com a forte demanda sobre a carne bovina, houve falta de animais para abastecer o mercado de carnes interno e externo. Pelo fato da alta demanda, o preço do bovino tende a continuar alto nos primeiros meses de 2021.

Ainda de acordo com a Embrapa, os pecuaristas têm um alto custo com a alimentação dos animais, que tiveram seus preços puxados para cima juntamente com o preço da carne. Um bom exemplo disso foi o milho, que quase dobrou o valor da saca e que ainda deve permanecer com o preço em níveis elevados.

Diante disso, a tendência é que os pecuaristas possam postergar a entrada dos animais no cocho ou até mesmo deixar de confinar. 

Por isso, os produtores de carnes devem ficar atentos a uma mudança no mercado mundial de milho em 2021.

A expansão no mercado internacional e a demanda chinesa por Commodities

Devido à pandemia do Covid-19, vários países aumentaram a compra de produtos como grãos e proteínas animais. Tendo em vista que o Brasil é uns dos maiores produtores e exportadores, houve um aumento expressivo na exportação desses produtos, principalmente para China, a qual nos dez primeiros meses de 2020 comprou cerca de 423,2 mil toneladas de carne suína e 564 mil toneladas de carne frango.

Sendo o principal mercado consumidor do agronegócio brasileiro, espera-se que a China mantenha a demanda de exportação de carne bovina, além de aumentar as demandas de carnes suínas e de frangos.

A estimativa é de que o país ainda continue sendo um dos maiores demandantes da soja em grãos, tendo em vista que os rebanhos suínos chineses estão em fase inicial de recuperação, dado o surto de peste suína ocorrida nos anos anteriores.

Além disso, a expectativa tida com a recuperação econômica dos países após a crise gerada pela pandemia, é que a exportação de proteína animal e de grãos se expanda no mercado internacional, ocorrendo então a exportação para novos países, principalmente para Ásia.

Em vista disso, o nosso país torna-se competitivo no mercado internacional, oferecendo um produto de alta qualidade.

Brasil e China

Fenômeno La Niña

Outro fator de extrema importância para o ano de 2021 no agronegócio é o fator climático. Segundo atualizações do Centro de Previsão Climático Americano, há 95% de chance do fenômeno La Niña continuar durante o verão brasileiro, começando a cair a partir de abril, tendendo para a neutralidade climática.

Tal fenômeno, tende a ser um dos mais rigorosos dos últimos 20 anos, impactando no clima tanto do Brasil como do mundo todo, de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional – NOAA.

De acordo com Patrícia Vieira, técnica em meteorologia da Somar, com o La Niña tem-se maiores chances de invernada na colheita, em parte do Sudeste e Centro-Oeste, além de riscos de estiagem, especialmente no Rio Grande do Sul, e de chuvas mais concentradas na faixa norte do Brasil, o que afeta diretamente nas safras, podendo interferir também na oferta dos produtos, com impactos consideráveis em seus preços.

Todavia, mesmo diante das perdas com impacto do fenômeno La Niña, a produção de grãos deve ter um aumento em decorrência da forte demanda nas exportações, que, consequentemente, mantém os preços das sacas elevados. Assim, os produtores podem estar otimistas com o plantio e a futura colheita dessas commodities.

Em linhas gerais, a expectativa é que o Brasil não deixará de ter safras recordes na produção de grãos, contudo, se não fosse tal questão climática, os números poderiam ser significativamente maiores para o ano de 2021.

A Reforma Tributária no Agronegócio

Por fim, o ano de 2021 trará grandes impactos ao agronegócio se concretizada a reforma tributária, isso porque, apesar de diferentes, as propostas em discussão não visam oportunidades fiscais ou tributárias para o setor. Na prática, tendem a elevar a carga tributária suportada pelo agronegócio, aumentando, inclusive, a tributação de produtos essenciais da cesta básica.

Apesar da simplificação pretendida pela reforma tributária, possivelmente haverão efeitos negativos na tributação dos produtos, dadas as particularidades que as propostas oferecem em relação ao setor do agronegócio.

Neste aspecto, o que se torna necessário fazer é uma análise mais crítica voltada para os impactos da reforma tributária no agronegócio, pois é através dele que o país concretiza direitos fundamentais dos brasileiros, como a alimentação.

Assim, pode-se dizer que há uma função social extremamente importante do agronegócio, a qual sofrerá consideravelmente se não tratada corretamente pela reforma tributária no ano de 2021.

Agora que você já sabe das principais perspectivas para o agronegócio no ano de 2021, não deixe de nos acompanhar para continuar atualizado. E se você é empresário ou profissional que atua nesse ramo de negócio, entre em contato com a Dome para saber das soluções que podemos lhes oferecer!

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